Quinta-feira, 23 de Setembro de 2010

AA chuva nos sapatos

A chuva nos sapatos... não havia nada de misterioso, podia ser o titulo de um filme, uma canção longa legendada em Francês ou um crime desses idealizados contra a paciencia dos dias. Sou um pobre homem e serve-me a palavra para contestar o meu destino. Á mãe que me fez nascer e ao mundo que me faz sentir incompreendido e indigno deste palco, deste viver do lixo e da caridade. No segundo andar da santa casa a mulher com cara de buldog a Dra Silvia, nome que oiço da boca do segurança.- Então!... tem se alimentado? parece que está mais magro. E eu que trazia e trago um album de fotos mostrei-lhe todos os caixotes do lixo da cidade.- Encontro sempre comida e já encontrei livros.- Temos aqui um intelectual.E naquele momento o meu pensamento começou a falar em voz alta e chamei-lhe todos os nomes a maior parte deles em francês. A mulher chamou o segurança e eu imaginei-o a bater no peito como os gorilas de sete rios contestando o aumento do passe social.Trabalho é a palavra mais dificil, quando tento pronunciar é muito trabalho e não há compensação, deitar e levantar, abanar a cabeça para cima e para baixo, para os lados e saber que isto resulta sempre igu al como um cão que sempre levanta a pata para mijar e que sempre faz olhos pateticos para receber o osso, pois vai chegar o momento em que lhe será pago um salário como fazem á Dra Boldogue. Estou a olhar o rio e chega junto a mim o policia municipal.- Tem licença para pedir, que faz com uma sanita ás costas?- É para fazer as necessidades- Já ouviu falar de saneamento basico?!- Sou um turista, ando sempre em viagem.- Está a gozar com a minha cara?!- Tem um ar muito jovem e deve ter muita força, bloquear os pneus de um carro deve ser dificil, ouvi dizer que o mundo é governado por cerebros bloqueados.- Devia tomar um bom banho- Trazer uma banheira ás costas ia ser dificil, se eu conseguisse fazer chover, sabe fazer chover é assim... alguém com cara de parvo a olhar para o céu, já tentou a experiência?! os poetas tem essa capacidade, os poetas são doceis e ele olha para mim e eu começo a gritar que ele me está a assediar e que me quer multar por não ter comigo o seguro de sanita turistica.As pessoas começam a gritar com ele e o coitado olha para o ceu e começa a chover e que merda logo no momento em que me deu a vontade, esta chuva não deixa de ser abençoada, hoje comi feijoada de porco, o porco é o meu signo chinês, gosto de provérbios chinezes, já tive um porco, dei-lhe o nome de um proverbio chines. O meu porco chamavasse quem anda á chuva molhasse. Costumava ler lhe os poemas do mestre apolinair e foi com grande tristeza que o levei ao matador, aquele amigo e irmão era muito saboroso, com outros mendigos fizemos um banquete, nem na mesa de um rei se podia imaginar um prato como aquele ornamentado com rodelas de ananás e vinho do porto, mas a amizade tras sempre desapego e era preciso matar o desejo, confesso que nunca tinha arrotado tanto que até perguntaram se aquilo tinha alguma coisa a ver com a fonetica chineza.- Estão a gostar pergunto eu, quando era pequeno gostava de comer urtigas, as urtigas são boas para os problemas urinários, eu costumo urinar nas urtigas, já comi porco com urtigas.- Isso é bom?- Tem muitas calorias, é uma comida para o inverno.- A minha irmã é vegetariana, ela gosta de sopa de urtigas, dessas em saquetas, que se vende nos supermercados.- Já pensei ser vegetariano mas não consigo, também adoro batatas, as batatas são como os acentos na gramática dos paladares, bacalhau com batatas e umas couves de preferência galegas.- Ontem encontraram morto um transexual, tinha chuva nos sapatos- Foi crime?- Parece que a policia descobriu um diário secreto, um diário compremetedor.- Uma confisão?!- Parece que foi o amante, a policia chama a este caso a confisão de Lucio.Volto a olhar o rio, há sempre o momento para o fim de uma história e assim adormeço sem esquecer as minhas orações e as mãos lavadas. Daqui a pouco o tejo vem ter comigo a pedir que desenhe um electrico. Acordo no quarto de hospital, há um gajo com um lençol a tapar-lhe a cabeça, coitado está no matador, o porco vingou-se dele e a solidão não para nunca mais. Á minha volta estão muitos médicos.- Esse figado está a desfazer-se- O senhor Doutor pode dizer isso em Francês, o figado a desfazer-se e as flores da minha despedida... costumo escrever poemas, uma noite de lua cheia feri-me, era um golpe fundo, usei a folha dos poemas para estancar o sangue.- Deixe-me ver o pulso, agora precisa de descansar.Lá fora está de novo a chover, a sirene das ambulancias toca ensurdeceduramente parece o guincho do porco e nunca isso foi tão parecido á aflição que se pressente antes da morte chegar

Lobo

publicado por relogiodesacertado às 17:27
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